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Internet Protocol version 6

IPv6 Internet Standard [RFC8200]

bye_ipv4

O IETF publicou, em 14 de julho de 2017, a RFC 8200, definindo:

IP version 6 (IPv6) is a new version of the Internet Protocol (IP), designed as the sucessor to IP version 4 (IPv4) [RFC791]

O IPv6 é a nova versão do Protocolo Internet (IP), projetado como sucessor do IP versão 4 (IPv4) [RFC791], alterando a forma como somos identificados na Rede Mundial. Para que isso acontecesse foi necessário seu reconhecimento pela sua ampla utilização na Internet em conjunto com o amadurecimento de suas implementações. Para um protocolo alcançar tal patamar, ele precisa mostrar que provê um significante benefício para comunidade Internet, situação que o IPv6 comprovou em 2017. Nota do CGI.br.

A mudança do Padrão Internet ocorre após 20 anos da publicação da RFC 2460, que define as especificações técnicas do IPv6, e 10 anos após a publicação do Informativo sobre a Transição da Internet para a nova versão do protocolo. Estatísticas do Google afirmam que atualmente (maio de 2019) o Padrão Internet é utilizado em aproximadamente 25% dos acessos a seus serviços (e-mail, pesquisa, streamming etc). O Brasil está entre os países que ultrapassam a média mundial, com 27%, atrás apenas de Estados Unidos, França, Grécia, Índia, Japão, Uruguai, Vietnam e dos líderes do ranking, Bélgica (51%) e Alemanha (42%).

A principal mudança foi o espaço para endereços, que cresceu de 32 para 128 bits, no IPv4 há 4.294.967.296 endereços, atualmente 18.446.744.073.709.551.616 redes (prefixo mínimo /64 para cada rede), dificultando a prática de crimes, pois cada usuário pode ser identificado de forma inequívoca por diversos endereços, tornando obsoleta a “muleta técnica” NAT, que ocasiona mal funcionamento em diversas aplicações e pode colocar em risco a segurança.

O NIC.br, através do projeto IPv6.br, realiza um ótimo trabalho disseminando o IPv6 há mais de 10 anos, dentre as iniciativas podemos destacar:

Curso IPv6

A alocação mínima no NIC.br garante a cada Provedor o equivalente a uma Internet IPv4, ou 4 bilhões de clientes (prefixo /64). As maiores operadoras brasileiras já receberam alocações maiores, mas adequar as redes ao Padrão Internet (IPv6) requer investimentos na capacitação técnica de recursos humanos e a substituição de equipamentos legados (suportam apenas o obsoleto IP versão 4).

A ANATEL tornou compulsório o suporte a IPv6 em todos os Produtos de Telecomunicações Categoria I (Cable MODEM, ADSL, Smartphone etc) a partir de julho de 2015, nenhum equipamento é homologado se não suportar Padrão Internet (IPv6). Entretanto, autorizou o uso da “muleta técnica NAT nas Operadoras" a partir de 2015, conhecida por CGN ou CG-NAT444, para impedir o congelamento das vendas em virtude da falta de endereços IPv4, criando insegurança na Internet através de um impasse jurídico em torno do Marco Civil da Internet e seu Decreto Regulatório, pois a legislação não prevê o uso da CGN, tendo em vista a obrigatoriedade, por parte da ANATEL, do IPv6 disponível em todo território nacional até o final de 2015, exceto Oi Fixa (2017).

A CGN (NAT na operadora) aumenta o custo em ambos os lados envolvidos, operadoras e provedores de serviços e aplicações precisam investir pesado em novos equipamentos para conseguirem realizar a identificação da origem de práticas ilícitas, trazendo atrasos desnecessários à implantação do IPv6, única solução para o impasse jurídico. Ainda, estes investimentos seriam fatalmente repassados aos usuários, mas esta responsabilidade deve ser dos que se deleitam em seu bônus, pois há dezenas de Técnicas de Transição ao IPv6 e a “muleta” CGN é a pior delas, única a procrastinar a substituição do "lixo tecnológico" e não obrigar à atualização para IPv6 (Padrão Internet).

A evolução tecnológica ocorre naturalmente, alterando a forma como vivemos, nos manifestamos e nos comunicamos, através do advento da Internet, que inevitavelmente também passa por mudanças inerentes ao próprio crescimento da última década, exigindo novas tecnologias para que possa garantir suas funcionalidades com estabilidade, neutralidade e, principalmente, segurança. Precisamos nos manter atentos às mudanças para não perdermos o trem da evolução.



Referências:

Internet Engineering Task Force:
RFC 791 – Internet Protocol - DARPA Internet Program Protocol Specification, 1981.
RFC 2460 – Internet Protocol, version 6 (IPv6) Specification, 1998.
RFC 2993 – Architetural Implications of NAT, 2000.
RFC 3022 – Traditional IP Network Address Translator (Traditional NAT), 2000.
RFC 3027 – Protocol Complications with the IP Network Address Translator, 2001.
RFC 5211 - An Internet Transition Plan, 2008.
STD86: RFC 8200 – Internet Protocol, version 6 (IPv6) Specification, 2017.

Comitê Gestor da Internet no Brasil CGI.br:
Projeto IPv6.br
Recomendação para Implantação do Protocolo IPv6, 2012.
Recomendação para o suporte ao IPv6 em equipamentos que usam protocolos Internet, 2014.

Agência Nacional de Telecomunicações:
GT-IPv6 Relatório Final de Atividades
IPv6 estará disponível para o público a partir de julho de 2015

Google IPv6:
Estatísticas de adoção do IPv6

Site Consultor Jurídico
Entrave tecnológico provoca impasse sobre Marco Civil e anonimato, 17 de dezembro de 2016.

Legislação:
Lei Federal Nº 8.078/1990 – Código de Defesa e Proteção ao Consumidor
Lei Federal Nº 12.965/2014 - Marco Civil da Internet no Brasil
Decreto Presidencial Nº 8.771/2016 – Regulamenta a Lei 12.965/2014

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